sábado, 23 de maio de 2009

PROJETO PARA FEIRA DE CIÊNCIAS - BIOLOGIA C8

PROJETO – FEIRA DE CIÊNCIAS
PRESERVAÇÃO DA FAUNA BRASILEIRA
HELDER TORRES e VÍTOR ALVES

TEMA: As Aves da Caatinga
PROBLEMA:
Sabemos que a caatinga tem uma fauna rica em animais pequenos como: répteis, mamíferos e aves, com algumas espécies em risco de extinção. As aves são o nosso objeto de investigação neste projeto, com qual pretendemos responder as seguintes questões: Quais aves ainda existem nos focos de caatinga do município de Lapão? Como elas sobrevivem? Houve mudança de hábitos em função do desmatamento? Quais aves desapareceram ou estão em processo de extinção?

OBJETIVO GERAL:
Investigar a existência de quais aves típicas da caatinga ainda existe nos focos de mata existentes no município de Lapão.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
· Conhecer as aves existentes no bioma caatinga em geral;
· Investigar as aves que habitam/habitava a caatinga no município de Lapão;
· Fazer um levantamento das aves existentes hoje;
· Catalogar essas espécies e lançar campanha de conservação/preservação, para evitar a extinção.
JUSTIFICATIVA:
Apesar das dificuldades socioeconômicas do sertão e da imagem de solo e vida pobres, cientistas brasileiros revelam o lado rico em biodiversidade da caatinga, único ecossistema totalmente compreendido em território nacional. Biólogos listam as espécies de répteis, aves e mamíferos encontradas na região e alertam: é preciso criar, o quanto antes, pelo menos oitenta áreas de preservação nos 800.000 km2 de semi-árido.
A caatinga é um ecossistema diferenciado dos demais pelo fato de ser o único que se situa totalmente dentro dos limites territoriais brasileiros. A biodiversidade ali encontrada sempre foi considerada pobre, quando comparada à de ecossistemas como o Pantanal Mato-grossense ou à Floresta Equatorial da Amazônia, que abrigam milhares de espécies endêmicas da fauna e da flora. Mas um olhar um pouco mais apurado sobre a biologia da caatinga revela surpresas no que diz respeito à riqueza de sua biodiversidade.
A caatinga é o nosso bioma, embora o desmatamento quase destruísse completamente, ainda restam alguns focos de mata “quase” virgem, onde se podem observar algumas espécies de aves, como azulão, sofrê, concriz, caboré, cardeal, fura barreira, galo de campina, gavião de rapina, gavião pé-de-serra, gavião rasga rola, golinha, juriti, cata-capim, papa sebo, rolinhas branca e cafufa, salta estaca, soldadinho, tiziu, tetéu, várias espécies de beija-flor e outros.
Já foram identificadas no bioma da caatinga: 17 espécies de anfíbios; 44 de répteis; 695 de aves e 120 de mamíferos. Um total de 876 espécies animais, pouco se conhecendo em relação aos invertebrados. Descrições de novas espécies vêm sendo registradas, indicando um conhecimento botânico e zoológico bastante precário deste ecossistema, que segundo os pesquisadores é considerado o menos conhecido e estudado dos ecossistemas brasileiros.

METODOLOGIA:
A metodologia utilizada irá culminar na montagem de uma FEIRA DE CIÊNCIAS, onde serão apresentadas outras pesquisas/projetos sobre os animais do bioma caatinga.
· Estudo de textos e pesquisa na internet pelos alunos; serão utilizados textos xerografados, textos de revistas, jornais, livros e internet, leitura de imagens, documentários e filmes, como instrumentos para a realização da compreensão do conteúdo proposto, utilizando as novas tecnologias (computador, Internet, TV e DVD).
· Aula Viva: aula realizada fora do ambiente escolar, com observação, pesquisa, entrevista e produção de um pequeno livro com imagens e textos sobre as aves da caatinga existentes no município de Lapão, utilizando como recursos câmera fotográfica, papel ofício, computador, internet (divulgação em blog) e etc.

CRONOGRAMA:
Este projeto será executado durante o Estágio Supervisionado I, no Ensino Fundamental II, como Atividade Extraclasse.
Pesquisa Bibliográfica: 03 a 07/08/2009
Pesquisa de Campo (aula viva): 10 a 14/08/2009
Feira de Ciências: 22/08/2009

REFERÊNCIAS:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_esp%C3%A9cies_de_animais_da_Caatinga
http://www.portaldovestibular.com/
http://cienciahoje.uol.com.br/2126

segunda-feira, 18 de maio de 2009

IV SEMINÁRIO PRESENCIAL - LETRAS C7

A turma de Licenciatura em Letras Português/Inglês, apresentou no dia 09/05/2009 o IV Seminário Presencial, concluindo assim, os trabalhos do 4º período (semestre).

Vejam as imagens!









































































Parabéns! Sejam bem-vindos ao 5º periodo!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

SEMINÁRIO PRESENCIAL IV - HISTÓRIA - C7

A turma de História do Circuito 7, apresentou no dia 27/04/2009 (Segunda-feira), o Seminário Presencial IV, concluindo assim, o 4º periodo (semestre).

Os grupos apresentaram e discutiram temas relevantes para a prática pedagógica do ensino de História no Ensino Médio e, contou com a participação da Professora Maria das Graças Carvalho, Licenciada em Ciências Sociais, Bacharel em Ciências Políticas, Especialista (pós-graduação) em Metodologia do Ensino Superior e Planejamento e Sistemas de Educação a Distância, que falou sobre o Papel do Professor de História e respondeu perguntas de alunos de todos os grupos.

Alunos da turma de História e a Professora Maria das Graças (convidada) - a 6ª da esquerda para a direita.

PARABÉNS! Neste Seminário percebemos o crescimento intelectual/conhecimento de toda a turma! Só há uma forma de crescer! Estudando! SEJAM BEM-VINDOS AO 5º PERÍODO (SEMESTRE)!

OUTRAS IMAGENS DO SEMINÁRIO:



































sexta-feira, 17 de abril de 2009

METODOLOGIA DO ENSINO DE PORTUGUÊS - LETRAS C7

DINAMICA - STOP


Eliete Batista Machado Oliveira
Leia Mendes da Silva
Suzana Mendes da Silva
Vilmonete Ferreira Machado Pires Ribeiro

Material:
Tabela com o nome das classes de palavras;
Tiras de cartolina com frases;
Caneta e ou lápis.
Objetivo:
Despertar no educando a curiosidade, habilidade, participação, agilidade e raciocínio, interação e domínio de conteúdo.

Metodologia:
Com empenho e concentração a dinâmica pedagógica será desenvolvida individual ou em dupla, procurando motivar o aluno e despertar a participação e agilidade para a revisão de conteúdo.
No decorrer, o professor mostra uma frase escrita na tira de cartolina.
Por Ex: Ontem a meninada estava animada, pois iria participar de um campeonato de futsal, onde João seria o craque.
Com agilidade o aluno procura preencher a tabela, pois quem primeiro terminar, grita: STOP, e os demais por determinação têm que parar. Em seguida será feita a correção pelo professor. Cada acerto vale um ponto.
Prosseguindo, o professor, mostra outra frase e assim por diante.
A dinâmica foi desenvolvida numa 1ª série do Ensino Médio e poderá ser executada em qualquer área de ensino e em qualquer série do Ensino Fundamental ou Ensino Médio.

sexta-feira, 13 de março de 2009

III SEMINÁRIO PRESENCIAL - CURSO DE BIOLOGIA - C 8

A turma do curso de Biologia do Circuito 8, apresentou no dia 11/03/2009 (quarta-feira) o III Seminário Presencial, concluindo, assim, o 3º período (semestre).

VEJAM AS IMAGENS DO SEMINÁRIO!





















































PARABÉNS! SEJAM BEM-VINDOS AO 4º PERÍODO (SEMESTRE).

terça-feira, 3 de março de 2009

REVISTA DA CULTURA

Cássia Fragata

Filha de cariocas, a escritora Ruth Rocha nasceu paulista em março de 1931. Sua infância “alegre e cheia de livros e gibis” foi no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Estudou em alguns dos melhores colégios da cidade, como o Bandeirantes e o Rio Branco, formou-se em Sociologia e Política pela Universidade de São Paulo e é pós-graduada em Orientação Educacional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Foi como atendente de biblioteca no colégio Rio Branco que Ruth começou a conviver com as crianças; conversava com elas e lhes indicava livros. Mas foi como orientadora educacional do mesmo colégio – cargo que ocupou por 15 anos – que passou a conhecer mais de perto os conflitos e anseios infantis.
Em 1967, começou a escrever artigos sobre educação para a revista Claudia e participou da criação da revista Recreio, da editora Abril, na qual teve suas primeiras histórias publicadas. Mas foi só aos 45 anos que lançou seu primeiro livro, Palavras, muitas palavras. De lá pra cá, já foram mais de 140 e cerca de 20 milhões de exemplares vendidos.
Em outubro de 2007, a escritora foi eleita para a cadeira 38 da Academia Paulista de Letras. Em seu discurso de posse, em 27 de abril deste ano, Ruth homenageou seus professores, os acadêmicos e seu grande mestre, Monteiro Lobato, e lembrou que o escritor foi o primeiro autor de livros infanto-juvenis a ser admitido na Academia. Mas a grande homenagem da noite ela dedicou aos pequenos. “Vejo poucas crianças na platéia, naturalmente pelo horário desta cerimônia. Mas a elas dedico as próximas palavras:

"Toda criança do mundo
mora no meu coração
Seja pobre, seja rica,
Seja grandona ou nanica,
Mulata, ruiva, amarela,
Seja bonitinha ou feia
De trança ou touca de meia
Use sapato ou chinela...
Seja branca ou seja preta
De seda ou de camiseta
Com diploma ou sem escola
Triste, alegre ou boazinha
Que goste de amarelinha
Ou goste de jogar bola...
Seja indiazinha do mato
Não goste de usar sapato
Caeté ou cariri
Caipira ou da cidade
Diga mentira ou verdade
Em português ou tupi.
More em casa ou num barraco
Coma na mão ou no prato
Viva lá no fim do mundo
Durma na cama ou no chão
Toda criança do mundo
Mora no meu coração.”


Ruth falou à Revista da Cultura e creditou às crianças a grande motivação para o seu trabalho.

O que a criança gosta de ler? Ela é que sabe. Cada criança é diferente das outras, tem vivência diferente, inteligência diferente, aptidões diferentes, constituição física diferente. O escritor escreve o que lhe apraz, o que lhe agrada, o que ele quer transmitir. O leitor escolhe de acordo com sua vontade.
Com tantos livros escritos, sentiu saudade de algum depois que terminou? Cada livro nos marca de uma maneira diferente e especial, mas não sinto saudade de nenhum, pois o importante mesmo não é escrever, é ter escrito.
Como é o seu processo de criação? Não sei explicar meu processo de criação, mas tem tudo a ver com leitura, conversa e alimentação pela arte e pela mídia. Conhecer crianças é o maior estímulo para meu trabalho.
O que pode fazer o escritor, a família, a escola, para que ler rime com prazer e não com obrigação? Fórmula conhecida: valorização da criança, da cultura, do conhecimento, da escola, do professor, da educação, dar exemplo: ler mais. Ter sossego em casa. Ter livros. Comprar, escolher, comentar. Verificar cuidadosamente as condições físicas e psicológicas da criança. Visão, ouvido, coordenação. Verificar se a criança fala bem. Conversar com ela. Falar e ouvir. Discutir pequenos problemas com lógica, sem emoção. Fazer da hora da conversa uma coisa prazerosa. Acompanhar com boa vontade, e visitar o médico quando necessário, o desenvolvimento da criança. Observar com carinho os eventos que possam causar problemas para a ela: dificuldades financeiras e conjugais dos pais; problemas de saúde da família; mortes, separações, traumas como assalto; rivalidade com irmãos, nascimento de outra criança na família. Jamais deixar a criança desamparada diante de violências. Principalmente da própria família. Amar seus filhos. A todos, igualmente, sem estimular competição pelo afeto dos pais.

Você adaptou a Odisséia, de Homero, para crianças, e seu marido, Eduardo, fez as ilustrações. Como foi? Como é trabalhar em família? Acho ótimo adaptar obras. E o fato de adaptá-las me dá a oportunidade de conhecê-las melhor e de amá-las ainda mais. O trabalho com Eduardo foi muito divertido.

Que tal adaptar Machado, Guimarães ou Graciliano? Não acho que esses autores tenham a distância necessária no tempo para precisar de adaptação. Além disso, são escritores do português e pertencem à nossa própria cultura.

Fale sobre a cadeira 38 da Academia Paulista de Letras. Como ficou sabendo da indicação e da votação? Fui convidada por alguns amigos da Academia, um dos quais o Loyola. Achei honroso e aceitei. É uma espécie de coroamento e a oportunidade de conhecer pessoas ilustres que eu ainda não conhecia.

Que títulos e autores foram importantes na sua formação? O autor mais importante na minha formação foi Monteiro Lobato. Além dele, reconheço a influência da poesia popular, das histórias que meu avô contava, dos livros que minha mãe leu para mim, das poesias que meu avô e minha mãe recitavam, das músicas que as lavadeiras cantavam. Como já disse antes, a leitura é o alimento do escritor. Mário de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa etc., etc., etc. Li muitos, literatura francesa, inglesa, alemã, adoro a literatura portuguesa: Fernando Pessoa, Saramago, Eça de Queiroz, Miguel Torga etc.

O que tem lido agora? Leio muito atualmente sobre o Brasil, política, história, sociologia.

O que acha da educação dos pequenos hoje no Brasil? Lamentável em geral. Fora algumas ilhas de excelência, escolares ou familiares, o resto é lamentável, inclusive as manifestações da sociedade como um todo.

Poderia definir o que é cultura? Cultura é isso: a cultura acadêmica, bem temperada com a vida cotidiana. Com as influências familiares, com o entorno social, os amigos, a música, as artes, as festas, a comida, a cultura popular. ©


Acesse a REVISTA CULTURA NO SITE: http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc13/index2.asp?page=entrevista

sábado, 28 de fevereiro de 2009

REVISTA DA CULTURA

A internet fala a língua da pressa. A vida moderna nas grandes cidades, antenada, plugada, bombardeada de informação por todos os lados, também tende a falar cada vez mais o idioma da velocidade. Símbolos, gírias e abreviações são modos de comunicação que o formatam. Eles ajudam na rapidez, mas mexem com as bases da língua. O chamado internetês, uma palavra corrente, mas ainda ausente nos dicionários, é essa coisa híbrida, essa força de expressão.Como é que fica o português nessa história? Tem gente que espera o pior. O escritor Deonísio da Silva, doutor em Letras pela USP e autor do livro De Onde Vêm as Palavras (Mandarim), já chamou o internetês de “assassinato a tecladas da língua portuguesa”. O medo é de que a língua seja contaminada, que o internetês escrito nos e-mails, nos blogs, MSN, Orkut incentive o assalto à gramática. “O internetês é um fenômeno decorrente das transformações sociais, culturais e tecnológicas do mundo contemporâneo”, defende o professor e lingüista Marcos Bagno, da Universidade de Brasília. E completa: “Do ponto de vista dos usuários da língua, podemos até dizer que é bom, porque dá provas de vitalidade, de flexibilidade e capacidade de adaptação às exigências da vida moderna.”

Sutilezas em Alta Velocidade
Caso você não esteja ambientado às navegações na rede, prepare-se para entender esse novo mundo. Expressões criptografadas como vc, naum, blz, bj, kkkkkkkkk, rs vieram para ficar. Elas são as ferramentas da língua da pressa. E muitas vezes ajudam a nuançar o que a frase, por si própria, não conseguiu. O “rs” (risos) ao final de uma sentença, por exemplo, pode indicar que ali existe uma ironia, porque nem sempre dá para captar sutilezas em alta velocidade.“Não podemos pensar unicamente na função comunicativa, mas também na força criadora e criativa da palavra”, afirma Ubiratan Brasil, do jornal O Estado de S. Paulo. Especializado em literatura, Ubiratan não é amigo do internetês. “Ele elimina os ‘floreios’ da língua, aqueles termos que dão um colorido indispensável à linguagem.” Claro que a afirmação vale mais para a literatura do que para um bate-papo virtual. O leitor que se aventurar a dar uma volta pela internet atrás do idioma próprio da rede vai descobrir diferentes conversas de diferentes tribos. Talvez não entenda por que escrever um “naum” pode ser mais prático do que digitar um simples “não”. “Tem um shift ali no meio. Acho que apertar duas teclas ao mesmo tempo dá uma certa preguiça em algumas pes­soas”, diz a produtora e designer Cris Lima, que tem 22 anos e o hábito de navegar em sites diferentes de diversão e relacionamento, como Last-fm, Flickr, Otumblr, Orkut, MSN, MySpace e Skype.

“É preciso lembrar que o internetês é uma mera questão de grafia”, aponta o professor Bagno. “Expressões como ‘blz’ (beleza), por exemplo, são impronunciáveis, não têm realização fonética possível, de modo que não existe nenhuma chance de, no futuro, as pessoas ‘falarem’ como se escreve na internet”, ele diz. Ou existe?O certo é que não dá para remar contra a corrente. No computador, a juventude já escreve nessa língua. Até que ponto o internetês pode contaminar o português escrito? “A internet já contaminou”, afirma o dono de um dos mais acessados blogs do país, o também apresentador de televisão  Marcelo Tas. “Não só a língua, mas a forma como a gente vive”, diz.

Doce-de-Coco
O escritor Antonio Prata pondera: “A língua não é uma senhora com cuja saúde devamos nos preocupar em excesso.”Destacando, no entanto, a importância da gramática nas conversas eletrônicas: “Quando faltam vírgulas e acentos necessários à compreensão da mensagem, é ruim. Como dizia Stanislaw Ponte Preta: “quem gosta de doce-de-coco sabe a importância do circunflexo”.O internetês nasceu para suprir a necessidade de unificar dois mundos diferentes, o real e o virtual. “Outro dia, zapeando pelos canais”, diz a designer Cris, “parei para assistir a um filme que, para minha surpresa, era legendado em ‘internetês’. As pessoas andam escrevendo, falando, lendo e interpretando como fazem diante do computador. Em algum momento isso vai ter que se integrar ao português.” Escrever bem, mesmo que seja no espaço virtual, depende de leitura. Ler ajuda a entender o mundo. As pessoas andam lendo mais ou menos do que antes? Bem, a realidade da internet demonstra que, aos trancos e barrancos, elas têm escrito cada vez mais. Um outro passeio veloz por alguns blogs de diferentes matizes espalhados pela internet mostra que, no mínimo, as pessoas procuram escrever num português legível. Aliás, os blogs de literatura e informação em português proliferam na rede.

Estímulo à Leitura
O suporte livro, que os arautos do apocalipse condenaram ao desaparecimento há alguns anos, não parece querer abandonar seu corpo físico. O que falta é estímulo para a leitura. E bibliotecas espalhadas democraticamente pelo país. “Isso ajudou os portugueses”, afirma o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que debita na conta das raras bibliotecas africanas existentes a escassez de novos e bons escritores no continente.

É conhecida a história de outro escritor de língua portuguesa, o brasileiro Ruy Castro, que começou a ler aos 4 anos, no colo da mãe. E debutou na leitura com as crônicas de A Vida como Ela É, de Nelson Rodrigues, publicadas no jornal carioca Última Hora. Claro que os tempos eram outros, e a casa da família de Ruy, recheada de livros, jornais e revistas, um caldo perfeito para quem queria aprender a ler. Hoje, Ruy trabalha no computador, cercado de livros. Mesmo nas mensagens rápidas da internet, escreve com a elegância de sempre.“Toda e qualquer língua viva do mundo é o resultado de todos os processos de transformação pelos quais ela passou ao longo de sua existência”, lembra o professor Marcos Bagno. “Se o português brasileiro contemporâneo é diferente do latim, do qual ele deriva, é porque ao longo da história houve muitas e variadas ‘contaminações’, isto é, processos internos à língua e também externos a ela, como o contato entre povos, as transformações sociais, as demandas culturais, etc.” Significa que um terreno tão fértil de expressão como a internet não passaria em branco no contato com a língua, mesmo que fosse apenas a escrita.

Apenas Ferramenta
Mas é importante saber que a internet não é um demônio com vontade própria, segundo Marcelo Tas. “A internet, assim como o telefone, os livros, a caneta Bic ou o liqüidificador, é apenas uma ferramenta”, ele diz. “É tarefa de cada um de nós descobrir uma forma de usá-la com sabedoria. Assim, vamos tecer uma rede que contenha conhecimento e beleza, e não só baboseiras.”O certo é que o preconceito puro e simples contra o internetês não vai ajudar a língua portuguesa a acomodar a riqueza da nova expressão surgida na rede. Que pode não ser culta nem bela, mas já é real. ©




Eles estão nas salas de bate-papo, nos e-mails, em toda a rede. São símbolos para comunicar estados de espírito (emoticons) e expressões das quais a tendência é não conseguir escapar. Conheça um pouco desse idioma:
AKI = Aqui
BJS = beijos
BLZ = Beleza
Buaa, snif = Choro, tristeza
Ctafim? = Você está a fim?
Ctaí? = Você está aí?
D+++++++++= Demais
FALOW = Adeus, até mais
KD = Cadê?
Pru6 = Para vocês
Rs, Hehehe, hauhuahaua = risos
T+ = Até mais, tchau
Vc = Você
;-) = Piscada, ironia
:-) = Feliz
:-( = Triste





Literatura e Comunicação na Era Eletrônica. Fábio Lucas (Cortez) - Este livro, de um grande defensor da expressão livre da internet, fala da criação literária tocada pelas mais variadas formas de comunicação da era moderna, como o rádio, o telégrafo, o cinema e a imprensa. Daí pode-se imaginar o que a internet é capaz de fazer com a literatura e a língua falada no Brasil. Interessante como ele compara a comunicação feita na velocidade da luz com o ritmo mais reflexivo da criação literária.

Preconceito Lingüístico: O que É, Como Se Faz. Marcos Bagno (Loyola- Existe, sim, um preconceito lingüístico arraigado na sociedade brasileira. Bagno, língüista e professor da Universidade de Brasília, mostra de que maneira a mídia e a multimídia colaboram para aprofundar essa atitude.

A Nova Desordem Digital. David Weinberger (Campus) - O autor analisa o fenômeno da gigantesca escalada da informação disponível na rede, e as maneiras, igualmente numerosas, de checar o que realmente interessa, se é valioso e correto.

The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture. Andrew Keen (Doubleday) - Keen é totalmente contra a “revolução” proposta pela segunda geração da internet, a web 2.0, com a interatividade de conteúdos propostos por amadores em blogs e sites como a Wikipédia e o YouTube. (Pode ser encomendado na Cultura)

A BOA LÍNGUA ESCRITA E FALADA - Dom Casmurro é apenas uma das obras-primas de Machado de Assis. Se escrever bem depende de um bom background de leituras, a melhor estratégia é começar pelo que interessa. Dom Casmurro não é apenas imensamente bem escrito: é um clássico de linguagem e de expressão cotidiana. A voz do autor ainda pode ser ouvida hoje, como se acabasse de ser pronunciada. Outra boa referência para se ter um português exemplar é ler Eça de Queiroz. Qualquer título vale pela elegância e correção no uso da linguagem.
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